domingo, 2 de dezembro de 2007

Lilith, rainha das succúbus

Lilith, ou Lilitu ("espírito de vento" na mitologia Assíria-Babilônica) foi uma ávida amante do sexo.
Na lenda, Lilith foi a primeira esposa de Adão. De qualquer maneira, Lilith queria uma relação de igualdade com Adão. Adão aborreceu-se por Lilith negar-se a assumir uma posição submissa. Ela queria deitar por cima de Adão. Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele, pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Adão tornou irredutível sua vontade e recusou o pedido de Lilith.
Quando Adão tentou forçá-la a fazer as coisas a seu modo, ela proferiu o nome mágico de Deus, elevou-se no ar, e voou sem rumo à procura de parceiros sexuais mais amenos. Sua vida sexual rapidamente sofreu uma grande mudança. Ela teve turbulentas aventuras eróticas com anjos caídos. Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho. Lá, onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder.
Muitos homens experimentaram o medo de seus ataques. Há muito, muitos homens procuraram explicações para seus sonhos molhados. De acordo com o Talmud:
"– É imprudente para o homem dormir em uma casa como único ocupante, pois Lilith poderá capturá-lo" (Wedeck 88)
Homens que experimentaram "erupções" noturnas acreditam que eles tenham sido seduzidos por Lilith, rainha das succúbus, em seus sonhos. A estes homens era recomendado dizer encantamentos para prevenir sua prole de vir a se tornar demônios. Alguns homens não eram tão sortudos. Esses condenados tinham seu sangue sugado para fora de seus corpos.
O texto a seguir foi extraído de um conto folclórico hebraico:

"A esposa trouxe um espelho e toda a fina mobília do porão de seu próprio lar e orgulhosamente exibiu-a pelos cômodos. Ela pendurou o espelho no quarto de sua filha, que possuía os cabelos negros em forma de coquete. A garota olhava-se, de relance, por todo o dia, e desta maneira ela era arrastada para a teia de Lilith. Aquele espelho tinha sido pendurado em um covil de demônios, e uma filha de Lilith tinha feito do espelho a sua casa. E quando o espelho fora pego de uma casa assombrada, a succubus viera junto com ele. Pois todo espelho é uma passagem para o outro mundo e este era um caminho que dava direto para a caverna de Lilith.
Esta caverna foi para onde Lilith fugiu quando abandonou Adão e o Jardim de Éden por toda a eternidade, a caverna onde ela divertiu-se com seus amantes demoníacos. Destas uniões, multidões de demônios nasciam, que acabavam por, em bandos, saindo da caverna e infiltrando-se no mundo. E quando eles querem retornar, simplesmente entram no espelho mais próximo.
É por isso que é dito que Lilith faz sua casa em todos os espelhos. Agora a filha de Lilith, que tinha feito do seu lar o espelho que era todo o momento olhado pela garota para o qual posava. Ela aguardou seu tempo e, um dia, ela escorregou para fora do espelho e possuiu a garota, entrando através seus olhos. Deste modo ela tomou o controle dela, excitando seu desejo à vontade. Então, aquela jovem garota, controlada pelos desejos maldosos da filha de Lilith, passou a dormir com todos os jovens homens que viviam na mesma vizinhança."

Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus.
Lilith é o arquétipo da mulher indomada, que luta apaixonadamente pelo poder pessoal. Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo.

Fonte:
1. Extraído de "Lilith's Cave", Lilith's Cave: contos sobrenaturais judeus, editado por Howard Schwartz (São Francisco: Harper & Row, 1988)
2. (Joëlle de Gravelaine in "Lilith und das Loslassen", Astrologie Heute Nr. 23)
Tradução:Maria Fernanda Alves Guimarães
3. Extraído de "Lilith's Cave", Lilith's Cave: contos sobrenaturais judeus, editado por Howard Schwartz (São Francisco: Harper & Row, 1988)

3 comentários:

Bruno disse...

Ambigua Lilith, adorei o texto!

Um pouco de pederastia blasfematória:

"Os anjos de Sodoma

Eu vi os anjos de Sodoma escalando
um monte até o céu
E suas asas destruídas pelo fogo
abanavam o ar da tarde
Eu vi os anjos de Sodoma semeando
prodígios para a criação não
perder o ritmo de harpas
Eu vi os anjos de Sodoma lambendo
as feridas dos que morreram sem
alarde, dos suplicantes, dos suicidas
e dos jovens mortos
Eu vi os anjos de Sodoma crescendo
com o fogo e de suas bocas saltavam
medusas cegas
Eu vi os anjos de Sodoma desgrenhados e
violentos aniquilando os mercadores,
roubando o sono das virgens,
criando palavras turbulentas
Eu vi os anjos de Sodoma inventando a
loucura e o arrependimento de Deus

Roberto Piva/Paranóia (1963)"

Ps. Aguardo beliscadas no nosso blog!!!

Bruno.

Karen disse...

úia... gostei.. posta mais, pri! :)

bjaao!

Mariana disse...

Oi, Pri...
faz tempo hein...
gostei da adaptação... muito bom!
saudade... e as brejas?? e a Gil??
bjinho